sábado, 17 de novembro de 2012

90 anos da Descoberta da Tumba de Tutankhamun






“Yes, Wonderful Things”. Esta frase marca o momento da maior descoberta arqueológica de todos os tempos, a Tumba do Faráo Tutankhamun.
Na tarde do dia 26 de novembro de 1922, o arqueólogo inglês Howard Carter e seu patrocinador, Lord Carnarvon, abriram um pequeno buraco na parede que fechava o acesso à antecâmara da tumba e ao iluminar com uma vela seu interior, Carter teria dito a Carnarvon que estava vendo “coisas maravilhosas”. Assim como vários outros fatos relacionados com a descoberta, esta frase também foi alterada e romanciada. O que Carter disse quando Carnarvon perguntou “Consegue ver alguma coisa” foi simplesmente “Sim, é maravilhoso”.
Envolta em mistérios e fantasias, a descoberta da Tumba de Tutankhamun é um marco cultural do século XX. Ela ultrapassa as fronteiras da Arqueologia e da ciência, tornando-se um fenômeno mundial de mídia e da cultura de massa.
Tutankhamun, um desconhecido rei da XVIII dinastia que reinou por um curto espaço de tempo (c. 1336 a 1327 a.C), tornou-se do dia para a noite um dos nomes mais conhecidos da história. Sua tumba, a menor tumba real do Egito, estava praticamente intacta e continha objetos nunca vistos antes. Foram necessários 10 anos de um trabalho minucioso de catalogação até que todos os mais de 10 mil objetos fossem retirados da tumba, que recebeu o numero 62 do “Vale dos Reis” (KV62). Pela primeira vez o registro em filme e fotos foi usado de forma sistemática numa escavação no Egito, as fotos feitas por Harry Burton são merecidamente famosas e reproduzidas até hoje.
Curiosamente, esta descoberta nos ensinou muito sobre o ritual funerário real, sobre a arte e as crenças do Egito antigo, mas praticamente nada nos contou sobre quem foi exatamente Tutankhamun e o que ele fez em vida.
As centenas de milhares de turistas que vão ao Egito e os visitantes que lotam as exposições internacionais com os tesouros de Tutankhamun alimentam uma rentável indústria de souvenir e produtos.
Esta “tutmania” ajuda a manter viva a imaginação popular com histórias de maldição e fofocas sobre a vida do “faraó menino” ou simplesmete Rei Tut, como é conhecido.
Talvez o que melhor definia a descoberta de Tutankhamun tenha sido a frase dita pelo papa da época, Pio XII: “Não é uma exumação, mas uma ressureição”.
Seja como for, este aniversário dos 90 anos de descoberta da Tumba de Tutankhamun é um bom momento para se pensar sobre as condições de guarda e preservação deste patrimônio da humanidade de valor inigualável.

Sugestões:


  • Para os diários e fichas de escavação de Howard Carter e as fotos de Harry Burton:

Tutankhamun: Anatomy of an Excavation
  • Para se divertir com a Tutmania de todos os tempos:

Billy Jones & Ernest Hare - Old King Tut 1923
Steve Martin- King Tut
King Kuts Dog Food Commercial
Batman 1966 King Tut's Coup


A descoberta da Tumba de Tutankhamun, seus tesouros, a vida deste jovem faraó e de seus descobridores deram origem a incontáveis publicações científicas, de divulgação e romances.
Qualquer lista bibliográfica sobre Tutankhamun está sujeita a imperfeições.
Para aqueles que querem ter um conhecimento preciso das descobertas, são inevitáveis os 3 relatórios de escavação que H. Carter, com ajuda de Arthur Mace, escreveu entre 1923 e 1933, ilustrados com as fotos de Henry Burton. Existem algumas edições em inglês, os títulos são:


· The Tomb of Tut.Ankh.Amen: Vol. 1: Search Discovery and the Clearance of the Antechamber.
· Tomb of Tut.Ankh.Amen Vol. 2: The Burial Chamber.
· The Tomb of Tut.ankh.Amen, Vol. 3: The Annexe of Treasury.

O primeiro volume é na verdade o diário de Carter sobre a descoberta e a primeira etapa das escavações. Este diário é publicado como um livro individual sem as fotos de Burton. São muitas as edições traduzidas para várias línguas, inclusive o português, o título original é:


· CARTER, Howard. The Tomb of Tutankhamen.

A seguir está uma pequena lista de livros sobre Tutankhamun, muitos deles possuem edições em inglês, francês e espanhol.



REEVES, Nicholas. The Complete Tutankhamun: The King, the Tomb, the Royal Treasure. London: Thames & Hudson, 2007.
Excelente trabalho de síntese sobre a descoberta e principalmente sobre o material encontrado na tumba. Além de possuir ótimas indicações bibliográficas.








JAMES, T.G.H. Tutankhamun: The Eternal Splendor of the Boy Pharaoh. London: Tauris Parke, 2000.
Ótimo texto descritivo que acompanha excelentes fotos coloridas dos principais objetos.






SILVERMAN, David P.; WEGNER, Josef W.; WEGNER, Jennifer Houser. Akhenaton Tutankhamun: Revolution & Restoration. Philadelphia: University of Pennsylvania Museum, 2006.
Um ótimo trabalho de contextualização histórica de Tutankhamun e o Período Amarniano.
  





JAMES, T.G.H. Howard Carter: The Path to Tutankhamun. London: Tauris Parke, 2001.
Trata da vida e do trabalho de Howard Carter antes e durante a descoberta de Tutankhamun e seus conflitos políticos e pessoais.






           Igualmente extensa, a filmografia sobre Tutankhamun vai de excelentes documentários, animações, até filmes e série para a TV de gosto duvidoso.
No cinema, talvez o primeiro estímulo causado pela descoberta da Tumba de Tutankhamun tenha sido o filme “Os Dez Mandamentos” (The Ten Commandments), de Cecil B. DeMille na sua primeira versão de 1923. DeMille, inspirado pela recente descoberta, tinha a firme intensão de colocar Tutankhamun como o faraó do Êxodo.
A Tutmania foi particularmente marcante na TV do final dos anos 70 e 80, quando a grande exposição de Tutankhamun, que percorreu várias cidades dos Estados Unidos, estimulou a imaginação dos produtores. Foi quando “Tut” apareceu em seriados como a “Ilha da Fantasia” (Fantasy Island) na 2ª temporada 4º episódio de 1978, chamado “A Tumba”, quando um grupo de arqueólogos descobre na ilha a tumba intacta de um irmão de Tutankhamun. No seriado “Casal 20” (Hart to Hart) na 2ª temporada 6º epsódio 1981, os tesouros de “Tut” e a famosa maldição são a inspiração para a trama.

A seguir, poucos exemplos desta diversificada produção inspirada em Tutankhamun:



“A Face de Tutankhamun” (The Face of Tutankhamun) um documentário em 4 epsódios produzido pela BBC em 1992 e exibido no Brasil pela TV Cultura de São Paulo. Sem dúvida o melhor documentário já feito sobre a descoberta e a Tutmania, baseado no livro de Christopher Frayling é apresentado pelo próprio autor. Disponível em DVD (2006).






“Curse of King Tut's Tomb” produzido para a TV (Columbia Pictures Television) em 1980. Uma curiosa versão completamente fantasiosa sobre Howard Carter e a descoberta da Tumba, além, é claro, da maldição. Com Raymond Burr no papel do rico colecionador de antiguidades Jonash Sabastian que quer roubar os tesouros de Tutankhamun. Nada tem a ver com um péssimo filme de 2006 com o mesmo título.






“O Segredo da Pirâmide de Cristal” (The Time Crystal ou Through the Magic Pyramid) produzido para a TV (distribuido pela WarnerBros) em 1981. Conta a história de um garoto chamado Bobby TutTuttle que é transportado até o Egito antigo tornando-se amigo do também garoto Tutankhamun e o ajudando a chegar ao trono do Egito.






sábado, 19 de maio de 2012

Conferências do prof. Francesco Tiradritti no Museu Nacional





O Museu Nacional e o Programa de Pós Graduação da UFRJ convidam para as Conferências:






“The Tomb of Harwa. A Masterpiece of the Pharaonic Renaissance”. – 22/Maio/2012


“The Universe of Colors in Ancient Egypt: Two Thousand Years of Painting” – 24/Maio/2012



Prof. Dr. Francesco Tiradritti, Diretor da Missão Arqueológica Italiana em Luxor, Egito

 
Local : Auditório da Biblioteca Central do Museu Nacional
Quinta da Boa Vista – Bairro Imperial de São Cristóvão – RJ.

Horário: 14:00 às 16:00




Currículo Lattes do Prof. Dr. Francesco Tiradritti:










Site da tumba de Harwa:

domingo, 25 de março de 2012

Os Nomes e Títulos Reais / Names and the Royal Titles


Nomes de Ramessés II - Luxor

Assim que um novo faraó assumia o trono duas importantes cerimônias eram realizadas.
Na primeira o faraó recebe de dois sacerdotes, representando os deuses Hórus e Seth, as coroas do Egito. Na segunda são proclamados os nomes reais, aqueles que designavam a natureza divina do rei e que a partir do dia da coroação seriam usados nas estátuas, estelas, monumentos e inscrições oficiais, como forma de revelar ao mundo o poder do faraó. A escolha destes nomes forma uma combinação única, própria de cada soberano, modernamente denominada de protocolo real.
Para os períodos dinásticos iniciais não existe uma forma padronizada para os títulos e nomes. Nas três primeiras dinastias os reis são conhecidos pelo nome de Hórus no serekh e a partir de Hórus Den na I Dinastia surge o nome precedido pelo título nsw-bity (Rei do Alto e Baixo Egito)
A partir do reinado de Senusret II, XII Dinastia, cada faraó passou a ter cinco nomes, cada um era precedido por um título:

When a new pharaoh took the throne two important ceremonies were held.
In the first, the Pharaoh receives from two priests, representing the gods Horus and Seth, the crowns of Egypt. Then the royal names are proclaimed, the ones which designated the king's divine nature and from the day of the coronation, would be used in statues, stelae, monuments and official inscriptions as a way of revealing to the world the power of the Pharaoh. The choice of these names forms a unique combination, which belongs to each sovereign, modernly called royal protocol.
For the early dynastic periods there is no standardized form to the titles and names. In the first three dynasties, the kings are known by the name of Horus in serekh and from the Horus Den, in the I Dynasty, come the name preceded by the title nsw-bity (King of the Upper and Lower Egypt).
From the reign of Senusret II, XII Dynasty, each pharaoh had five names; each one preceded by a title:

1º: Nome de Hórus 
Escrito no interior de um retângulo terminado na sua parte inferior por uma decoração arquitetônica. Representa a fachada do palácio real, chamado serekh. Este edifício real de origem Pré-dinástica é muitas vezes representado com o deus Hórus como um falcão em seu topo. Descreve não o rei como um Hórus, mas Hórus como um rei, isto é, o deus momentaneamente humano em seu trono terreno.
1st: Name of Horus 
It is written within a rectangle terminated at its bottom by an architectural decoration, representing the facade of the royal palace, called serekh. This royal building of pre-dynastic origin is often depicted with the god Horus as a falcon on its top. It does not describes the king as a Horus, but Horus as a king, that is, the god momentarily human at his earthly throne.

2º: Nome das Duas Senhoras 
As deusas protetoras dos dois reinos, Nekhbet a “Senhora do Alto Egito” representada por um abutre e Uadjet a “Senhora do Baixo Egito” representada por uma cobra. O faraó, colocado sob a proteção das deusas tutelares do Egito, é confirmado como o unificador dos dois reinos.
2nd: Name of the Two Ladies
The protective goddesses of the two kingdoms, Nekhbet "Lady of Upper Egypt" represented by a vulture and Uadjet "Lady of Lower Egypt" represented by a snake. Pharaoh, placed under the protection of the tutelary goddesses of Egypt, is confirmed as the unifier of the two kingdoms.

3º: Nome de “Hórus de Ouro” 
Designa o soberano como vitorioso sobre seus inimigos, identificando-o com Hórus, que derrotou o seu inimigo Seth da cidade de Ombos (Nb.t a moderna Naqada). Este título é formado pela figura de Hórus como um falcão sobre o hieróglifo nb "ouro".
3rd: Name of “Horus of Gold” 
It designates the sovereign as victorious over his enemies, identifying him with Horus, who defeated his enemy Seth at the city of Ombos (Nb.t the modern Naqada). This title is formed by the figure of Horus as a hawk on the hieroglyph nb "gold."

4º: Nome de Rei do Alto e do Baixo Egito 
Literalmente "Ele do Junco e da Abelha", uma referência aos símbolos do Alto e do Baixo Egito, o junco e a abelha, introduzido no reinado de Den na I Dinastia. Este título precede sempre o primeiro cartucho que contém o nome de trono ou nome de coroação.
4th: Name King of the Upper and Lower Egypt 
Literally "He who belongs to the sedge and the bee", is a reference to the symbols of Upper and Lower Egypt, the sedge and the bee, introduced in the reign of Den, I Dynasty. This title always precedes the first cartouche that contains the throne name or the coronation name.

5º: Nome de "Filho do Sol"
Criado na IV Dinastia no reinado de Djedefre (Redjedef). Lembra que o faraó é “O Filho de Rê”, o deus-sol, sendo o nome que lhe foi dado ao nascer e usado antes de tornar-se faraó. É o nome que nós usamos hoje em dia para designar os diferentes faraós. Este título precede sempre o segundo cartucho que contém o nome de nascimento.
5th: Name “Son of the Sun”
It was created in the Dynasty IV, reign of Djedefre (Redjedef). It remembers that the Pharaoh is "The Son of Re", the sun god, the name being given him at birth and used before becoming pharaoh. This is the name we use today to designate the various pharaohs. This title always precedes the second cartouche that contains the birth name.

Touro Possante 
A partir do Novo Império, este título passa a ser escrito antes do nome de Hórus indicando o poder militar do faraó. Ele é seguido por uma frase laureativa. Alguns faraós reelaboraram várias vezes o seu título de “Touro Possante”, o faraó Séthi I possui 28 frases diferentes. Muitas vezes este título é precedido pelo título de “Hórus Vivo” uma referência ao faraó como a manifestação terrena do deus Hórus.
Powerful Bull 
From the New Kingdom on, this title is written before the name of Horus indicating the military power of the pharaoh. He is followed by a laureate sentence. Some pharaohs elaborate several times his title of "Powerful bull," the Pharaoh Sethi I have 28 different titles. Often the title is preceded by the title "Living Horus" a reference to the pharaoh as an earthly manifestation of the god Horus.


CARTUCHO
Os dois nomes mais importantes e fáceis de reconhecer, o de Rei do Alto e do Baixo Egito e o de nascimento, são envolvidos por um cordão chamado “cartucho” ou "cártula", cuja origem é o sinal shen "envolver, circundar". Simboliza o poder real, sobretudo o que é envolvido pelo sol em seu curso diário pelo céu. Aparece entre as II e III Dinastias e a partir da III Dinastia substitui o serekh como forma principal para caracterizar o nome real. Só é usado de forma sistemática a partir de Snefru e somente no nome de trono. A partir de Neferirkare (Kakaki) o cartucho passa a ser usado também no nome de nascimento. Os nomes reais dentro dos cartuchos foram o ponto de partida para a decifração dos hieróglifos.

CARTOUCHE
The two most important names and easy to recognize, the King of Upper and Lower Egypt and birth one, are surrounded by a chain called "cartridge" or "cartouche," whose origin is the sign shen "involving” “circling". It symbolizes royal power, especially what is involved by sun in its daily course across the sky. It appeared between Dynasties II and III and from the III Dynasty on, it replaced serekh as its primary way to characterize the royal name. From Snefru, this is only used in a systematic way and only in the throne name. From Neferirkare (Kakaki), the cartouche was also used in birth name. The royal names inside the cartouches were the starting point for deciphering the hieroglyphs.


POST-NOMEN
Outros elementos foram incluídos nos cartuchos, como parte dos nomes reais, a partir do Novo Império:

POST-NOMEN
Other elements were included in the cartouches, as part of the royal names, from the New Kingdom on:

"Governante de Tebas" heqa-waset. Epíteto surgido com Amenhotep III que acompanha o seu nome de nascimento dentro do cartucho. Waset era o antigo nome egípcio de Tebas.
"Ruler of Thebesheqa-waset. Epithet originated with Amenhotep III that accompanies his birth name inside the cartouche. Waset was the ancient Egyptian name of Thebes. 

"Governante de Heliópolis" heqa-iunu. Epíteto surgido com Amenhotep II e usado por outros faraós do Novo Império principalmente por Ramessés III. Acompanha os seus nomes de nascimento dentro do cartucho. Iunu, em grego Heliópolis, foi antigo centro de culto do deus sol.
"Ruler of Heliopolisheqa-Iunu. Epithet originated with Amenhotep II and used by other pharaohs of the New Kingdom primarily by Rameses III. It accompanies their birth names inside the cartouche. Iunu, Heliopolis in Greek, was a former center of worship of the sun god. 

"Governante de Heliópolis do Alto" heqa-iunu-shema. Epíteto de Tutankhamon que acompanha o seu nome de nascimento dentro do cartucho. "Iunu do Alto" ou "Iunu do Sul" era outro nome para Tebas.
"Ruler of the Upper Heliopolisheqa-Iunu-shema. This is Tutankhamun’s epithet which came with his birth name inside the cartouche. "Iunu from the Upper" or "South Iunu" was another name for Thebes

Muitos dos nomes de nascimento são acompanhados pela designação "amado de" mery junto ao nome da divindade de devoção do soberano. Deve ser notada a utilização da transposição honorífica, pela qual o nome da divindade é grafado primeiro, no interior do cartucho, mas é lida por último:
Many of the birth names are accompanied by the term "beloved by" mery together with the sovereign’s worship deity name. It should be noted the honorific transposition use, whereby the name of divinity is written firstly, inside the cartouche, but is read by the latter: 

"Amado de Amon" mery-Amen. Epíteto de Ramessés II, entre outros, principalmente das XXI, XXII e XXIII Dinastias.
"Beloved of Amonmery-Amen. Epithet of Rameses II, among others, mainly in the XXI, XXII and XXIII Dynasties. 

"Amado de Ptah" mery-en-Ptah. Epíteto de Séthi I e II, entre outros, principalmente os Ptolomeus.
"Beloved of Ptah" mery-en-Ptah. Sethi epithet of I and II, among others, especially the Ptolemies.


OUTROS TÍTULOS
Outras expressões utilizadas para designar o rei egípcio:

OTHER TITLES
Other terms used to describe the Egyptian king:

"Sua Majestade" hemef
"His Majesty" hemef 

"A Grande Casa Dupla" âa-perwy
"The Great Double Houseâa-perwy 

"A Grande Casa" per-âa
"Great House" per-aâ 

Esta última era usada para designar o palácio real. Foi utilizada a partir da XVIII Dinastia para designar o rei e na XXII Dinastia passou a fazer parte da titulatura real. É deste título que vem, pela bíblia, o título faraó.
This latter was used to designate the royal palace. It was used from the Eighteenth Dynasty to designate the king and in Dynasty XXII it became part of the royal title. It is from this title which comes, by the Bible, the title pharaoh. 

Alguns adjetivos eram utilizados como títulos reais.
Some adjectives were used as royal titles. 

O Deus Perfeitonetjer-nefer. É representado pelos hieróglifos que significam “deus” (um tecido amarrado em uma haste) e “perfeito, bom, belo” (uma imagem estilizada do pulmão e da traqueia) que acompanham o seu nome de trono.
"The Perfect God" netjer-nefer. It is represented by the hieroglyphs that means "god" (a cloth tied to a pole) and "perfect, good, beautiful" (a stylized image of the lungs and trachea) accompanying his throne name. 

Senhor das Duas Terrasneb tawy, título real representado pelos hieróglifos que significam “senhor” (o cesto) e “Duas Terras” (o Alto e o Baixo Egito - as duas linhas paralelas) algumas vezes com grãos de areia ou dois bancos de areia. Acompanha o nome de trono substituindo ou seguindo o título "Rei do Alto e do Baixo Egito", segue também o título de "Deus Perfeito".
"Lord of the Two Landstawy neb, royal title represented by the hieroglyphs meaning "lord" (the basket) and "Two Lands" (Upper and Lower Egypt - the two parallel lines) sometimes with grains of sand or two sandbars. It accompanies the throne name replacing or following the title "King of Upper and Lower Egypt," and also follows the title "Perfect God." 

"Senhor do Ritual" ou "Senhor das Ações" título surgido durante o Médio Império que designa o soberano como o único responsável pelos rituais e obras em favor dos deuses. Segue o título de "Rei do Alto e do Baixo Egito".
"Lord of the Ritual" or "Lord of Actions" is a title arosed during the Middle Kingdom that designates the sovereign as the only responsible for rituals and works in favor of the gods. It follows the title "King of Upper and Lower Egypt." 

"Senhor das Aparições" ou "Senhor das Coroas". Escrito usando o sinal que representa uma colina por onde surgem os raios do sol nascente. Associando o faraó ao deus-sol quando este "Aparece em Glória" (hai). Precede o "Nome de Filho do Sol".
"Lord of the Apparitions" or "Lord of the Crowns". It is written using the signal representing a hill where emerge the rays from the rising sun. It associates the pharaoh to the god-sun when it "appears in Glory" (hai) and precedes the name "Son of the Sun." 


"do seu corpo" segue o título "Filho do Sol". Uma referência à essência divina do soberano, filho divino.
"from your body" follows the title "Son of the Sun", a reference to the divine essence of the sovereign, divine son. 

"(Aquele) que faz o que é benéfico para o seu pai". Designa o faraó como benfeitor, em obras e ações, a seu pai divino, isto é, a sua divindade escolhida em seguida vem o nome do deus.
"(He) who does what is beneficial to your father". It designates the pharaoh as a benefactor, in deeds and actions, to his divine father, that is, his chosen deity then followed by the name of the God. 


OUTRAS INSCRIÇÕES LIGADAS AOS NOMES REAIS
Após os cartuchos com os nomes reais, os faraós são muitas vezes descritos como "dando" ou "doando" certas qualidades ou capacidades. A palavra ( "dar" (di) é escrita usando um sinal que representa um pão triangular, podendo ser seguida por diferentes inscrições:

OTHER RELATED APPLICATIONS TO REAL NAMES
After the cartouches with the royal names, the pharaohs are often described as "giving" or "donating" certain qualities or abilities. The word "give" (di) is written using a signal representing a triangular bread, possibly followed by different applications:

"Vida, Prosperidade e Saúde".
"Life, Prosperity and Health".

"Vida, Estabilidade e Poder". O cetro-was pode também ser traduzido como "dominação".
"Life, Stability and Power". The was-scepter can also be translated as "domination". 

"Proteção". Aparece também junto às divindades.
"Protection". It also appears next to the deities. 

"Saúde".
"Health". 



 "Alegria". Literalmente "aumentar o coração".
"Joy". Literally "to increase the heart." 


"Como Rê". É um epíteto que associa o faraó ao deus sol.
"Like Rê". It is an epithet that associates the pharaoh to the sun god. 

"Amado". O epíteto "amado" (de) um determinado deus aparece escrito no interior do cartucho com o nome de nascimento de alguns reis, mas aparece também após o cartucho.
"Beloved". The epithet "beloved" (from) a particular god appears written on the cartouche with the birth name of some kings, but also appears after the cartouche. 

"Atrás Dele". Todas as qualidades listadas antes desta inscrição são entendidas como se estivessem junto ao faraó. Pode também acompanhar as qualidades atribuídas às divindades.
"Behind Him". All the qualities listed before this inscription are understood as if they were next to Pharaoh. It can also follow the qualities attributed to the deities. 

"Eternidade". Refere-se a uma eterna regeneração cíclica, como a do sol.
"Eternity". Refers to an eternal cyclic regeneration, such as the sun. 

"Para Sempre" ou "Eternamente". Refere-se a uma eternidade linear associada a Osíris. Muitas vezes aparece como a inscrição que fecha o texto.
"Forever" or "Eternally". Refers to a linear eternity associated with Osiris. Often appears as the inscription that closes the text. 

Para futuras leituras: / For further readings: 
BECKERATH, Jürgen von. Handbuch der ägyptischen Königsnamen. Mainz am Rhein: Philipp von Zabern, 1999

sábado, 17 de março de 2012

Prof. Aziz Ab'Saber



                                            Foto: Francisco Emolo/ Jornal da USP / USP Imagens

        Na manhã desta sexta feira (16/3/2012) faleceu aos 87 anos o Prof. Aziz Ab'Saber, geógrafo, presidente de honra da SBPC, professor emérito da FFLCH, membro honorário da Sociedade de Arqueologia Brasileira, possuidor de inúmeros títulos e honrarias.
Conheci o Prof. Ab'Saber na década de 70, naquela época meu pai trabalhava com ele na USP. Nas férias escolares meu pai costuma me levar para a Cidade Universitária onde eu andava de bicicleta, soltava pipa e explorava o imenso prédio da História e Geografia.
Meu pai e o Prof. Ab'Saber trabalhavam em uma sala no primeiro pavimento logo acima de onde ficava o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE). Quando o museu estava aberto eu sempre o visitava, logo na entrada ficava a coleção egípcia, minha parte preferida do museu. Quando estava fechado eu ficava olhando a coleção pelas divisórias de vidros que formavam a parede externa do museu, bem próxima ao vidro ficava a tampa de "sarcófago" que era uma das minhas peças favoritas.
Eu sempre via meu pai com aquele homem muito alto e magro e um dia meu pai falou sobre a minha paixão pelo Egito antigo. Foi então que o Prof. Ab'Saber começou a me explicar o que eu deveria fazer para me tornar um egiptólogo, o que estudar e como fazer, me lembro que ele não falou comigo como se eu fosse uma criança, na época eu tinha um pouco mais de 9 anos de idade, ele falou como se eu fosse um de seus alunos. Jamais me esqueci de suas palavras principalmente de uma frase: "...você tem que ser o melhor, o primeiro...".
Alguns anos mais tarde meu pai faleceu e eu só voltei a ouvir falara do Prof. Ab'Saber quando entrei na Universidade.
Anos depois fiz a minha dissertação de mestrado estudando a coleção do MAE a mesma que eu via nas minhas férias, foi o primeiro mestrado em egiptologia defendido na USP, na seqüencia fiz o meu doutorado e mais tarde já como professor do Museu Nacional do UFRJ fui o primeiro sul-americano a fazer pós-doutorado e a ser pesquisador convidado da IFAO.
Sempre tento ser o melhor possível em minhas pesquisas como me aconselhou o Prof. Ab'Saber, ele que foi um exemplo de pesquisador apaixonado pelo seus estudos e de generosidade com seus alunos.
Que o Prof. Aziz Ab'Saber seja bem recebido no "Belo Ocidente".

"O céu tem a tua alma, a terra a tua imagem e o Outro Mundo o teu mistério" (Papiro Berlim 3008 V2)




sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Curso de Extensão - Sociedade e Cultura no Egito Antigo: O Acervo Egípcio do Museu Nacional




Curso de Extensão:
SOCIEDADE E CULTURA NO EGITO ANTIGO: O ACERVO EGÍPCIO DO MUSEU NACIONAL


Coordenador: Prof. Dr. Antonio Brancaglion Junior 
As aulas serão ministradas pelos meus orientandos sob minha supervisão
Local: Museu Nacional/UFRJ

Há aproximadamente 5 mil anos, o Vale do Nilo, testemunhou o desenvolvimento de uma das civilizações mais importantes da história da humanidade.
A singularidade da vida às margens do Nilo originou uma sociedade sem igual. Sua escrita, suas formas artísticas, as suas crenças no Mundo Divino, habitado por uma multidão de deuses formam um todo indissociável tão característico da cultura faraônica.
Além da documentação textual o objetivo desse curso é utilizar o acervo egípcio do Museu Nacional, único no país, para revelar como os recursos naturais e as técnicas somadas às estruturas sociais e políticas, motivados por um conjunto de crenças em uma visão singular do mundo, constituíram a dinâmica do desenvolvimento da civilização egípcia.

Programação:

I. A VIDA ÀS MARGENS DO NILO

II. DEUSES E MITOS: O SAGRADO NO EGITO ANTIGO

III. O FARAÓ E A SACRALIZAÇÃO DO PODER

IV. A ARTE A SERVIÇO DO SAGRADO E DO DIVINO

V. CRENÇAS E PRÁTICAS FUNERÁRIAS

Horário: das 13h às 16h;
Período de aulas: 03, 10, 17, 24 e 31 de março de 2012.
Carga Horária: 15 horas
Preço: R$ 60,00

Início das inscrições: 25/01/2012.
Acesse o site do Museu Nacional para baixar o formulário para inscrição
A partir da data acima do formulário deverá ser encaminhado para:
coordextmn@mn.ufrj.br

Vagas Limitadas

Contato:
E-mail: coordextmn@mn.ufrj.br /  Tel.: 2562-6917 (Museu Nacional)

sábado, 28 de janeiro de 2012

Quadro Cronológico Comparativo - Comparative Chronology






 “Dentre os próprios egípcios, aqueles que vivem nas terras férteis são os mais empenhados de todos os homens em preservar a memória do passado, e ninguém a quem eu tenho questionado são tão habilidosos em contar sua história.” (Heródoto II-77)

A cronologia e as datas do Egito Antigo ainda são fonte de muitas discussões com referência aos seus detalhes e às datas absolutas.
A divisão da cultura egípcia em períodos e dinastias é uma convenção adotada pela egiptologia. A divisão da realeza egípcia em dinastias remonta a um sistema criado por um sacerdote egípcio chamado Maneto (Maneton), que escreveu em grego, uma “História do Egito” (Aegyptiaca) a pedido de Ptolomeu II, na primeira metade do século III a.C. Essa lista que chegou até nós classifica os reis em 31 dinastias, essencialmente definidas pela capital da época e por laços que nem sempre são hereditários.
Para os egípcios, o calendário recomeçava a cada início de reinado: datavam-se os acontecimentos do ano 1 depois do ano 2 de cada faraó e assim sucessivamente. Após a morte do faraó, a contagem dos anos recomeçava com seu sucessor.
Existiam algumas listas de reis (no Antigo Império os mais importantes são as de Palermo e de Saqqara) e outras listas mais completas datando do Novo Império (Papiro Real de Turim e a Lista Real de Abidos).
Por conveniência geral, as dinastias de Maneto foram agrupadas pelo egiptólogo alemão Karl Lepsius na metade do século XIX, que classificou as dinastias mais prestigiosas em três Impérios, também chamados Reinos: Antigo Império (III-VI Dinastias), Médio Império (XI-XII Dinastias) e Novo Império (XVIII-XX Dinastias). Os intervalos de fragmentação política e invasão estrangeira são arbitrariamente denominados Períodos Intermediários.
Com o objetivo de transformar este quadro cronológico comparativo em um instrumento útil aos leitores, as datas absolutas foram colocadas lado a lado, comparativamente, lembrando que todas as datas anteriores a 664 a.C. são incertas. Somente com a fixação das datas com os persas, no reinado de Psamético I na XXVI dinastia, é que as datas tornam-se seguras.
Para os nomes reais, as transcrições foram adaptadas para as formas mais convencionais, colocando entre colchetes as ortografias possíveis para o mesmo nome.
O nome "Filho do Sol" (s3-R’), também chamado de “nome de nascimento”, é seguido, escrito em itálico, pelo nome "Rei do Alto e Baixo Egito" (nsw-bity), nome de coroação, também chamado de “pré-nome” ou “nome de trono”.


No arquivo acima está a minha cronologia comparada tendo como referência as seguintes obras de referência:

Para os períodos Pré e Proto-dinástico:
ADAMS, Barbara. Predynastic Egypt. Great Britain: Shire, 1988. (col. Shire Egyptology 7).

ADAMS, Barbara & CIÁLOWICZ, Krzysztof. Protodynastic Egypt. Great Britain: Shire, 1997. (Col. Shire Egyptology 25).

Para os períodos históricos:

BAINES, John; MALEK, Jaromir.  Atlas of Ancient Egypt. Cairo: American University in Cairo Press, 2005.
CLAYTON, Peter A. Chronicle of the Pharaohs: The reign by reign record of the rulers and dynasties of Ancient Egypt. London: Thames and Hudson, 1994.
DAMIANO-APPIA, Maurizio. L'Égypte Antique. Paris: Gallimard, 2002.
Para a I-IV dinastias ele utilizou:
VERCOUTTER, Jean. L'Égypte et la vallée du Nil. Tome 1. Des origines à la fin de l'Ancien Empire, 12000-2000 av. J.-C. Paris: Presses Universitaires de France, 1992.
Para a VIII-XX dinastias:
VANDERSLEYEN, Claude. L'Égypte et la vallée du Nil. Tome II. De la fin de l'Ancien Empire à la fin du Nouvel Empire. Paris: Presses Universitaires de France, 1995.

DODSON, Aidan; HILTON, Dyan. The Complete Royal Families of Ancient Egypt. London: Thames & Hudson, 2004.

     Para o Período Islâmico:
ROBINSON, Francis; BROWN, Peter. Islamic World. Oxford: Andromeda,1984.
RUTHVEN, Malise; NANJI, Azim. Historical Atlas of Islam  World. Cambridge: Harvard University Press. 2004.

Para aqueles que desejam aprofundar seus conhecimentos sobre as questões relativas à cronologia, calendário, listas reais e as noções de tempo dos antigos egípcios recomendo:

DEPUYDT, Leo. Civil Calendar and Lunar Calendar in Ancient Egypt.  Leuven: Peeters, 1997.
HORNUNG, Erik; KRAUSS, Rolf; DAVID, Alan, Warburton [eds.] Ancient Egyptian Chronology. Leiden/Boston: Brill, 2006.
REDFORD, Donald Bruce. Pharaonic King-Lists, Annals and Day-Books: a Contribution to the Study of the Egyptian Sense of History. Mississauga: Benben Publications, 1986.

Para uma versão simplificada da minha Cronologia:



***
Comparative Chronology


"Among the Egyptians themselves, those who live in the cultivated country are the most assiduous of all men at preserving the memory of the past, and none whom I have questioned are so skilled in history." (Herodotus II-77)

The chronology and the dates of ancient Egypt are still a source of many discussions, with regard to its details and absolute dates.
The division of Egyptian culture in periods and dynasties is a convention used in Egyptology. The division of the Egyptian kingship in dynasties goes back to a system created by an Egyptian priest named Manetho, who wrote in Greek, a "History of Egypt" (Aegyptiaca) at the request of Ptolemy II, in the first half of the third century BC. This list, which survived until today, classifies the kings in 31 dynasties, defined essentially by the Egyptian capital of that time and by alliances that were not always hereditary.
For the Egyptians, the calendar restarted at the beginning of each reign: the events of year 1 were dated after the year 2 of each pharaoh and so on. After the death of the pharaoh, the count of the years restarted with his successor.
There were some king lists (in the Old Kingdom the most important are those of Palermo and Saqqara) and other more complete lists dating from the New Kingdom (Royal Turin Papyrus and the Royal List of Abydos).
For general convenience, the dynasties of Manetho were grouped by the German Egyptologist Karl Lepsius in the mid-nineteenth century, which ranked the most prestigious dynasties in three Empires, also called Kingdoms: Old Kingdom (Dynasties III-VI), Middle Kingdom (XI-XII Dynasties) and New Kingdom (Dynasties XVIII-XX). The intervals of foreign invasion and political fragmentation are arbitrarily called Intermediate Periods.
In order to make this comparative chronology useful to readers, the absolute dates were placed side by side, comparatively, noting that all the dates before 664 BC are uncertain. Only with the setting of dates with the Persians, in the reign of Psammetichus I in the XXVI dynasty, the dates became secure.
For the royal names, the transcripts were adapted to the more conventional forms, putting in brackets the possible orthographies for the same name.
The name "Son of the Sun" (s3-R'), also called "birth name", is followed, written in italics, by the name "King of Upper and Lower Egypt" (nsw-bity), coronation name, also called "pre-name" or "throne name".


In the file above there is my compared chronology based on to the following reference works:

For the Pre and Proto-dynastic Periods:
ADAMS, Barbara. Predynastic Egypt. Great Britain: Shire, 1988. (col. Shire Egyptology 7).

ADAMS, Barbara & CIÁLOWICZ, Krzysztof. Protodynastic Egypt. Great Britain: Shire, 1997. (Col. Shire Egyptology 25).


For the Historical Periods:
BAINES, John; MALEK, Jaromir.  Atlas of Ancient Egypt. Cairo: American University in Cairo Press, 2005.
CLAYTON, Peter A. Chronicle of the Pharaohs: The reign by reign record of the rulers and dynasties of Ancient Egypt. London: Thames and Hudson, 1994.
DAMIANO-APPIA, Maurizio. L'Égypte Antique. Paris: Gallimard, 2002.
For the Dynasties I-IV he used:
VERCOUTTER, Jean. L'Égypte et la vallée du Nil. Tome 1. Des origines à la fin de l'Ancien Empire, 12000-2000 av. J.-C. Paris: Presses Universitaires de France, 1992.
For the Dynasties VIII-XX:
VANDERSLEYEN, Claude. L'Égypte et la vallée du Nil. Tome II. De la fin de l'Ancien Empire à la fin du Nouvel Empire. Paris: Presses Universitaires de France, 1995.

DODSON, Aidan; HILTON, Dyan. The Complete Royal Families of Ancient Egypt. London: Thames & Hudson, 2004.

     For the Islamic Period:
ROBINSON, Francis; BROWN, Peter. Islamic World. Oxford: Andromeda,1984.
RUTHVEN, Malise; NANJI, Azim. Historical Atlas of Islam  World. Cambridge: Harvard University Press. 2004.

For those who want to deepen their knowledge on issues related to the chronology, calendars, royal lists and the ancient Egyptians time notions I recommend:

DEPUYDT, Leo. Civil Calendar and Lunar Calendar in Ancient Egypt.  Leuven: Peeters, 1997.
HORNUNG, Erik; KRAUSS, Rolf; DAVID, Alan, Warburton [eds.] Ancient Egyptian Chronology. Leiden/Boston: Brill, 2006.
REDFORD, Donald Bruce. Pharaonic King-Lists, Annals and Day-Books: a Contribution to the Study of the Egyptian Sense of History. Mississauga: Benben Publications, 1986.

For a simplified version of my chronology: